Alguns chamam de maldição mas eu chamo de amor. · Diário de uma escritora outsider · [Crônicas] · [Livros]

Alguns chamam de maldição, mas eu chamo de amor.

 

Eis que a madrugada surge e com ela, vários reflexões atrevidas. Já passava da meia noite e comecei a pensar sobre a minha vida e como ela mudou – e muito – de uns tempos para cá. Há dois anos, era apenas uma jovem universitária andando no escuro correndo atrás de um sonho.

Escrever nunca foi “apenas” um hobby. Sempre escrevi por necessidade, nunca escrevi procurando “público”. Talvez seja assim que surgem os escritores, por acaso. Desde pequena, sempre amei ler. Minha tia sempre me incentivou muito, me contando histórias antes de dormir e por conta disso, passei a escrever em um diário todos os dias. Desde pensamentos até poesias (old times). Com seis anos, escrevi uma história em uma máquina de escrever. Uma mistura de Senhor dos anéis com A lenda do Rei Arthur.

Alguns anos se passaram e um belo dia, uma amiga que também escrevia me alertou. Ela me chamou de escritora. Olhei para ela surpresa, isso nunca passou pela minha cabeça. Era apenas uma brincadeira, Possivelmente ser nomeada era tudo o que precisava para as histórias começarem a surgir. A brincadeira virou coisa séria e quando menos esperava, comecei a criar muitas histórias. Nunca me arrependi disso. Eu não tive escolha, meu coração sempre foi da escrita.

É claro que tive que escolher o mais difícil. Uma profissão complicada, cheia de riscos e que muitas pessoas olham torto. Já estou acostumada com : E então, com o que você trabalha? Como se escritor não fosse uma profissão. Às vezes, fico pensando o porquê escolher justamente isso. Logo o mais difícil, o quase impossível.

Atualmente penso que deveria jogar tudo para o alto. Escrever um romance fofo e quem sabe, ficar rica. Dar entrevistas e conquistar um público fiel. Ter um emprego seguro, trabalhar durante o dia com hora para chegar e para sair. Mas não. Joguei tudo para o alto para viver dos livros. Resolvi dar um basta na minha antiga vida que aos meus olhos não tinha nada de interessante. Abandonei a licenciatura sem medo depois de sofrer durante dois anos dando aula. Demorou, mas cheguei a conclusão que não nasci para dar aula. Sempre foram os livros, vão ser sempre eles.

Optei por essa nova vida e trabalho sob pressão. Ter prazos me instiga e me enlouquece. Quando a noite cai, eu desperto. Me joguei na fantasia sombria sem pensar duas vezes. Escrevo sobre seres que não existem e que me perturbam até em sonhos. Eu não faço o menor sentido. Escolhi o mais difícil, o impossível me fascina. Talvez a vida tenha mais graça assim. Vai entender…

Tem momentos que não vou negar, dá vontade de desistir. E então me lembro de tudo que passei, de tudo que vivi. Do quanto ralei para chegar até aqui. E penso que se abandonar a escrita, toda a magia que vejo na vida vai se perder. Alguns chamam de maldição, mas eu chamo de amor.

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4 comentários em “Alguns chamam de maldição, mas eu chamo de amor.

  1. Que lindo o seu texto Ju. Ainda bem que você virou escritora e não desistiu dos seus sonhos. Que todos os dias, ou madrugadas, sejam sempre uma página em branco para você escrever e reescrever as mais fascinantes histórias. Continuo sendo sua leitora cobaia esperando por mais um pedacinho do seu mundo imaginário que ao meu ver se tornam ainda mais reais. Parabéns Ju. Beijos

    Rob
    http://estantedarob.blogspot.com.br/

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