[Crônicas] · [Juliana Skwara] · [Sobre estar de saco cheio]

Sobre “estar de saco cheio”

O lado bom de estar de férias é ter tempo para fazer coisas que se tornam ~ impossíveis ~ quando se está ocupada. Depois de sair do buraco negro chamado “provas finais” da faculdade, decidi reformar o meu quarto nem que fosse mudando algumas coisas de lugares. Posso até não ter a minha estante dos sonhos ainda, mas consegui deixar do jeitinho que queria. Encontrei minhas agendas antigas que funcionavam como diário e decidi reler por curiosidade. Uma frase me chamou muito a atenção:

                     “Estou de saco cheio!”

Sem brincadeira nenhuma, essa frase foi escrita mais de 100 vezes em todos os meus diário. Fiquei tentando me lembrar o que de tão grave poderia ter acontecido para ficar reproduzindo essa frase sem parar. Mas aí me lembrei que sou uma drama queen e estava generalizando como sempre.  A questão é naquela época não tinha motivos para ficar escrevendo aquela frase sem parar.

Tá, tá legal, a vida não é nada fácil. E não é mesmo. Não é fácil acordar cedo e pegar o metrô/ ônibus cheio para estudar e trabalhar. Não é legal lidar com hormônios em fúria, o seu corpo mudando e o mundo que parece estar contra você. Não é bom ficar sem dinheiro para pagar as contas e comprar o que precisa. Não é legal estudar que nem uma louca para uma prova da faculdade e tirar aquela nota horrorosa. Também não é legal ver o País em que você mora ser assolado pela violência que aumenta a cada dia. É, pois é, quem dera que a vida fosse um mar de flores. Acredito fortemente que este cenário só existe em filmes de comédias românticas do Freddie Prinze Jr de quem sou muito fã. 

Relembrando a minha adolescência, compreendi os motivos que me levaram a escrever aquilo e nossa, agora eles me parecem tão banais. Adolescentes são famosos pelos dramas que fazem. E na real, não vejo isso como um erro, mas sim uma fase que eles estão passando e precisam colocar para a fora.  Mas como queria usar um vira- tempo para voltar a ser aquela Juliana ou até mesmo bater um papo com ela. Tudo era tão simples, enquanto na minha cabeça fazia parte de um dramalhão mexicano. Queria tanto dizer para aquela Juliana que não tem nenhum problema em ser a outsider do Colégio, que a amiga por quem brigou e sofreu quando saiu da escola, nem ao menos fala com ela hoje em dia. Amizades vem e vão, são coisas que fazem parte da vida. É claro, tinha algumas situações difíceis e bem chatas, mas nada que a Juliana de agora não soubesse resolver. Quando dizem que o tempo dá maturidade, não estão de brincadeira.

Mesmo uma metade de mim desejando voltar no tempo, a outra fica contente que isso não seja possível. Que os Whovians não me vejam declarando isso. O tempo me mostrou que a vida não é tão complicada o quanto pensamos e que tudo é uma questão de jogo de cintura. É claro que não sou compreensiva e madura 24 horas por dia. Só que vejo que o meu eu atual sabe lidar muito melhor com as situações do que o meu eu antigo que agia por impulsividade e queria bater em qualquer um no primeiro desentendimento. Sou a prova viva de que as pessoas mudam e muito!

Então meu caro leitor, não se desespere se as coisas estão difíceis para você. Pode ter certeza de que um dia você vai se ver rindo das coisas que fazia. Como fiz ao ler a minha agenda. Se eu soubesse que as situações nem eram tão terríveis assim, teria me poupado bastante. Mas até que valeu pela experiência. Passar por tudo isso me fez ser quem sou hoje. As coisas melhoram, vai por mim. Ainda bem, RÁ.

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