[Caio Fernando Abreu falou comigo] · [Crônicas] · [Juliana Skwara]

Caio Fernando Abreu falou comigo

Voltar as aulas na Faculdade para alguns pode ser um martírio, mas a verdade é que nesse período comemorei. Não sei se é porque me formo ano que vem e estou começando a ficar nostálgica – inclusive cheguei a sonhar com isso – mas o que senti mais falta da minha faculdade foi a biblioteca. O prédio da Letras na UFRJ tem um dos acervos mais incríveis e completos de livros do universo. E é óbvio que já peguei vários livros para ler e também paguei algumas multas, porque esquecia de devolver ou alguns não conseguia ler no prazer por causa de provas, etc. A questão é que sempre que me lembro da Biblioteca, me vem a cabeça Caio Fernando Abreu. Foi ali naquele lugar que encontrei aqueles exemplares que não eram meus, mas eram tão especiais.

Caso você não me conheça, saiba que tenho uma verdadeira relação de amor com Caio Fernando Abreu que sempre foi uma influência para mim. Não, não faça cara feia. Sei que 99, 9% das frases do facebook que as pessoas postam são citações dele ou que atribuem a ele, quando na verdade não são dele.  Essas pessoas inclusive acreditam que Caio é romântico, quando na verdade ele fala bem pouco de amor. Mas a verdade é que Caio parece que escreve para mim. Às vezes tenho a sensação de que ele conversa comigo.

Meu primeiro contato com o Autor foi com “Morangos Mofados”, livro que peguei emprestado com uma amiga. Foi amor a primeira vista. Caio que é contista tem uma poética e sensibilidade intensa. Adicione isso a reflexões sobre o cotidiano, amor e referências pop. Sim, Caio fazia muitas referências em sua escrita. Foi com aquele livro que me fez apaixonar pelo Caio. O meu conto preferido se não me engano é “Aqueles dois” que narra a história de dois rapazes que são apaixonados um pelo outro, trabalham no mesmo lugar e escondem a evidente atração. Caio descreveu o romance de uma forma tão bonita que me emocionou, me fez torcer por aqueles dois e sonhar com um amor tão bonito. Independentemente dele escrever sobre homossexualismo, romance, sexo ou drogas. Mesmo não compartilhando da mesma opinião ou visão de mudo, ele conseguia falar comigo. Isso acontece quando o autor consegue ser universal. Tal capacidade só demonstra a grandiosidade dele.

Então quando cheguei na Letras, corri para ler os outros livros do Caio. Li quase todos (alguns livros são difíceis de achar), mas a verdade é que meu amor por ele se reacendeu com Triângulo das águas. O primeiro romance que li do Caio, que não era conto, mas flertava muito com esse estilo. Foi com esse livro que percebi que estávamos ligados por um fio invisível que não me deixava desgrudar da história. E que quando tive que devolver, foi com muita dor no coração. A capa do livro é outra detalhe a parte. É o céu da capital de uma cidade, possivelmente São Paulo com seus arranhas – céus e tempo meio ensolarado, meio cinza. Não sei porque, mas aquela imagem mexe comigo e foi um dos motivos que me levou a escolher como o preferido do Caio. Deve ser aquela sensação de estar sozinho em uma cidade tão cheia. Ser estrangeiro em sua própria terra. Caio conseguia traduzir isso muito bem.

E sempre que termino de ler um livro dele, fico pensando como adoraria tê-lo conhecido. Pegar um autógrafo, conversar, ouvir a voz dele, a risada e suas polêmicas sobre tudo. Caio tem aquelas frases que fora do contexto fazem sentido, sabe? Aqueles quotes que soam tão bem em nossos ouvidos repletos de beleza. É muito difícil escolher uma frase só dele, por mim ficaria aqui escrevendo sobre ele para sempre. Mas tem uma frase em especial que sempre que leio me dá um conforto e ao mesmo uma pontinha de tristeza. Caio se foi precocemente e não pode ver o sucesso que fez como Escritor. Imagino agora ele nas nuvens vendo toda essa movimentação depois de ter dito isso:

 Essa frase me afeta bastante também. Sou escritora e como ele, sei o significado e sentido dessa frase. Ainda não publiquei meu livro e fico imaginando como vai ser. Várias coisas passam pela minha cabeça. O Escritor Brasileiro vive atormentado com a ideia de nunca conseguir ser publicado ou então que “só vai ser reconhecido depois de morto”. Só que sou otimista e acredito que não. Acredito que os sonhos sejam possíveis. E ler esse frase me faz ter mais certeza ainda. Porque se nem o Caio desistiu, vale a pena tentar né?

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3 comentários em “Caio Fernando Abreu falou comigo

  1. Oi Juliana 🙂
    Meu primeiro contato com Caio foi com textos soltos também. Acabei gostando e li a biografia dele, escrita pela Paula Dip, de onde saiu essa última foto do seu post, haha. Amei demais a biografia.
    Depois disso, li Morangos Mofados e gostei bastante, mas li outro que não gostei (e acabo de esquecer o nome!). Mas ambos foram de contos. Não li Triângulo das Águas, mas tenho vontade porque amo esse título!
    Beijos!

  2. Olá Juliana. Conheci seu blog hoje quando fui comentar o da Dilly e achei muito legal a forma como você escreve e seu amor pela literatura de Caio Fernando Abreu. Confesso que não conhecia o autor, mas achei legal conhecer um pouco dele através de você. Sinto já a nostalgia da faculdade por que acabei de me formar em jornalismo e sei como deve estar se sentindo já que a facul está acabando. Legal você ser do Rio também. Espero poder vir aqui no seu blog mais vezes. Sempre acho boas surpresas toda vez que comento em algum blog e hoje foi assim com o seu. Espero que você goste do meu blog também. Grande abraço.

    Fernando / http://www.fernufala.com

  3. Primeiramente, eu quero pedir desculpas pela minha demora em retribuir o seu doce comentário, mas este mês está bastante corrido para mim.
    Eu também tenho um amor por esse escritor ímpar. Já li uns 6 livros desse meu conterrâneo. Cada livro me tocou de uma forma especial. Ele escrevia com os sentimentos. Adorei a sua postagem falando sobre o Caio. Beijos.

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