Síndrome dos vinte e pouco anos · [Crônicas]

Síndrome dos vinte e pouco anos

 

Um dos motivos de ter criado um blog é que queria ter um diário onde pudesse comentar e abordar assuntos que gosto e situações que convivo. Só que o medo de me expor era maior do que a vontade, já tive um blog pessoal antes e fazê-lo de diário pode ser uma ameaça poderosa. Várias vezes colocaram textos que escrevi contra mim. Como vivemos em uma época onde se expor é “uma coisa normal”, fiquei mais receosa ainda. Decidi não escrever sobre nada disso no Facebook e afins, vamos partir do princípio de que todos somos muito maduros e se você veio até aqui é porque quis. Aqui é o meu espaço, onde falo sobre o que eu quero, na hora em que quiser.

A questão é que faz uns dias em que ando com algumas reflexões na cabeça. De uns tempos para cá, venho sentindo que esse ano vai ser diferente. Eu tenho muitas metas para cumprir esse ano – trabalho, vida pessoal e etc – que exigem a minha atenção e o meu sangue. E é claro que vou ter que abrir mão de muitas coisas por causa disso. No início, fiquei muito chateada, mas depois de pensar muito sobre o assunto vejo que preciso passar por isso. É como um ritual que diversos jovens passam em diferentes lugares. Eu preciso deixar muita coisa para trás se quiser ir para a frente.

 

Já me despedacei muito, por pessoas e coisas. Hoje faria completamente diferente. Só nesse ano, tem a minha formatura, lançamento do meu primeiro livro, monografia e preparativos para o casamento. O restante fica bem pequeno em relação a isso. É óbvio que deixar de ter vida social para estudar e chegar tarde do trabalho é chato. Antes, pensava que podia dar conta de monografar e ter uma vida social normal, mas não quero. Eu quero ter conflitos, reescrever o artigo e surtar um pouquinho. Quero passar por todos esses processos.

Sinto que preciso passar por esse ritual e dar fim a um ciclo. Talvez seja a síndrome dos vinte e poucos anos que tanto falam, na qual preciso gritar para o mundo: passei, sobrevivi!

Com o tempo, também cheguei a conclusão de que hobbies e vida online são descartáveis em relação a vida como um todo. No mundo virtual, as coisas não mudam. Lá fora o tempo não para. E entre os dois, prefiro mil vezes o mundo real com pessoas e realidade palatável. Se fosse alguns anos atrás, ficaria preocupada com os amigos que deixaria de dar atenção. Mas sinceramente? Fica quem quiser, sai quem tiver afim. Já corri muito atrás dos outros, agora é a vez de correrem atrás de mim.

A vontade de passar por isso – mesmo ciente dos apertos e dificuldades – é grande. O medo e o receio de envelhecer da “síndrome dos vinte e poucos anos” ficaram para trás. Talvez, junto com os 25, vieram a maturidade que sempre desejei. Se antes havia revolta – característico da adolescência – agora há uma paz muito grande e apenas a ansiedade em descobrir isso tudo.

A síndrome dos vinte e poucos anos foi uma fase que passou e me ajudou a enxergar como vejo o mundo atualmente. Sabe aqueles ditados clichês de que “vinho bom é antigo”, “panela velha é que faz comida boa”? Pois é, quem criou tinha razão. Amadurecer pode ser um perigo quando não se aproveita, mas se souber, tudo bem. A vida pode ser incrível!

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