Diário de uma escritora outsider · [Crônicas] · [E o segundo livro chega ao fim ou a síndrome de Jack Torrence] · [Leitores] · [Literatura] · [Livros] · [Novos Escritores] · [Terror]

E o segundo livro chega ao fim ou “a síndrome de Jack Torrence”

Como vocês sabem, nos últimos meses e semanas ando ocupada com o final do meu segundo livro. No último post , vocês conferiram algumas curiosidades a respeito dele. Fiquei de fazer um post contando como foi o processo de escrita de Strangers, como apelidei carinhosamente a história. Na quinta-feira, FINALMENTE consegui terminar de escrever . Terminar um livro sempre vai ser uma das sensações mais estranhas do universo! Fica um vazio e ao mesmo tempo, sentimos um alívio enorme. São muitos sentimentos e ainda estou em choque! Por mil motivos. O primeiro é que conseguir concretizar isso me deixou muito feliz. Nem consigo acreditar que vou publicar o meu primeiro livro *O* Todos piram!  O outro motivo é que foi tão difícil chegar até aqui, que o processo de escrita de Strangers não vai passar em branco.

 

Tudo começou há um ano. 2014 foi um ano que pouco escrevi. Me envolvi muito com a faculdade e alguns cursos que fiz, o que foi ótimo. Consegui me profissionalizar como Revisora, fiz meu segundo curso de escrita e ainda por cima tive a oportunidade de conhecer mais sobre o mercado editorial. Eu sentia que precisava viver essa experiência, ter uma visão mais profissional do meio literário. Porque por mais que tenha decidido ser Escritora por amor e tudo tenha começado como um sonho, nunca foi segredo para ninguém que queria entrar nessa profissão. Sempre soube que era uma questão de tempo para a escrita deixar de ser hobby e virar profissão. Isso era sinal de que a coisa estava ficando séria. E se você quer ser Escritor e terminar um livro, precisa levar a sério. Já tinha aceitado também que por mais que a inspiração faça parte desse trabalho, o Autor precisa ter disciplina e escrever todos os dias. Independente de ser uma linha, um parágrafo ou um capítulo. O Escritor precisa ler muito, pesquisar sobre o que está escrevendo e viver o que chamamos de “experiência de campo”.

E eu sempre me entreguei a esse processo. Nunca reclamei, nem nada do tipo. Sei que a minha vida pode muitas vezes até ser solitária por causa disso, mas não me arrependo, foi isso que escolhi para a minha vida. O mais difícil é fazer com que família e amigos compreendam. Porque você não vai estar todos os dias disponível. Se você quer que seu livro seja publicado no tempo x, vai precisar deixar noitadas e a diversão um pouco de lado. Lembre-se, isso é uma profissão como outra qualquer. O Escritor pode fazer o seu horário, desde que cumpra. Não há sacrifício sem dor, ou seja, não tem como fugir.

Foi depois de uma aula de Escrita que veio a ideia para Strangers. Muita coisa já estava montada e aproveitei para desenvolver o restante. Não posso falar ainda do que a história se trata – estou esperando sair o registro para contar – mas acreditava que seria tranquilo. E não, foi bem longe disso.

Já falei anteriormente, mas Strangers não é o primeiro livro que termino de escrever. Ele é o segundo livro que termino e o primeiro que vai ser publicado. Na primeira vez que terminei um livro, coloquei prazos e cumpri, mesmo passando um pouco da data – dois dias precisamente. Com Strangers não foi assim que aconteceu. Então, senta em uma cadeira e me acompanha. A história é longa.

Primeiro, fiz o meu horário para escrever o livro. Até aí tudo bem. Fiz pesquisas, li e vi tudo a respeito. Estava praticamente pronta para me jogar. O que me salvou e me ajudou a terminar foi que desde que fiz meu primeiro curso de escrita, adquiri o hábito de criar uma espécie de “roteiro/ esqueleto/ esquema”. Nele, coloco cada coisa que vai acontecer de forma que enquanto escrevo não fico desorientada. Pode acontecer de mudar o roteiro algumas vezes – inclusive isso já aconteceu – mas ele me ajudou muito durante a escrita. Os problemas em escrever Strangers foram outros.

Para quem não sabe, não moro sozinha. Minha família é grande e infelizmente estou acostumada a ser interrompida enquanto escrevo. Foi por causa disso que passei a escrever ouvindo música. As canções me concentram e o que quer que aconteça lá fora – conversas, telefone ou campainha tocando – não conseguem a minha atenção. É por isso também que adoro escrever de madrugada. Todo mundo está dormindo, ninguém me atrapalha e o fluxo de ideias corre solto.

Só que foi durante o processo de escrita de Strangers que mais me atrapalharam. Obrigações familiares chamaram a minha atenção e várias vezes deixei de escrever por conta de um problema familiar. Na verdade foram mais de um. Se não bastasse isso, foi a época em que mais tive evento literário e festas de amigos para ir. Sempre que decidia escrever, tinha algum compromisso e mais uma vez o livro era deixado de lado. Isso aconteceu muitas vezes. Com o tempo, fui ficando muito irritada.  Sou apaixonada pelo filme O Iluminado e confesso que tenho MUITO medo de Jack Torrance, o personagem de Jack Nicholson, o Escritor que fica extremamente irritado quando não consegue escrever, a ponto de enlouquecer e tratar mal as pessoas ao redor.  Nesse meio tempo, senti que eu e ele estávamos ficando muuuito parecidos.

 

 

Para completar, não sou o tipo de pessoa que costuma ficar muito doente. Mas inexplicavelmente durante o processo de escrita de Strangers, foi o período que mais fiquei doente: dor de estômago, febre, dor de cabeça, alergia… Foram muitas vezes. Outras coisas bem loucas aconteceram: vire e mexe ficávamos sem luz aqui em casa (apagão em vários bairros e cidades, caminhão batendo no post e etc), fiquei sem computador três vezes – que era onde o livro estava. Oitra vez, em uma determinada madrugada, quando finalmente o livro estava fluindo, vi um vulto passando no cômodo que estava. Não sei se era verdade ou apenas a Escritora que vos escreve cansada, só sei que fui imediatamente dormir.

 

 

A sensação de que me impediam de escrever o livro cresciam e cheguei a conclusão de que não ia conseguir cumprir os prazos e terminar. Eu chorei de raiva várias vezes e comecei a “agir” de forma muito estranha. Passei a ficar mais antissocial, querer sair menos e estressada. Foi um montanha – russa de emoções.

 

 

 

 

 

O que me tranquilizou e me ajudou a ficar mais calma é que contei com o apoio do meu namorido e amigos que me incentivavam a escrever, ajudaram com ideias e dicas. Acho que se Strangers vai finalmente ser publicado, grande parte devo a eles.

Vocês devem estar se perguntando, e agora o que ela vai fazer? O processo de finalização de um livro é complicado e me encontro nesse momento em infinitas revisões. E claro, como não poderia deixar de ser, vou mergulhar na escrita de dois livros. Dois?! Isso mesmo! Nunca vou parar de escrever! Aos olhos dos outros, pode ser visto como loucura. Para mim, um sonho e um trabalho que me faz a cada dia mais feliz.

 

 

 

 

Anúncios

Um comentário em “E o segundo livro chega ao fim ou “a síndrome de Jack Torrence”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s