Somos todos elfos livres

Se eu pudesse voltar no tempo, adoraria poder visitar a Juliana de uns anos atrás e dar alguns conselhos para a jovem de coturno preto e mechas coloridas no cabelo. Queria explicar para ela que a vida é incrível, que vale a pena rir mais do que se estressar, que bancar a séria e pseudo  cult é muito chato e que algumas amizades são efêmeras e é preciso ter cuidado com elas.

Já contei essas histórias para muitas pessoas, mas o fato é que eu poderia escrever um livro só com as minhas decepções em se tratando de amizade. Logo, não sou o tipo de pessoa que se acha amiga de todo mundo e nem considera todo mundo amiga. Tenho total consciência de que “amizade é um artigo raro atualmente” (fala dita por mim em 99% dos textos e da vida).

De todas as amizades que tenho, tirando a minha família, conto nos dedos de uma mão quem realmente são os meus amigos. Infelizmente durante muito tempo atraí umas amizades pra lá de bizarras. Não vou falar sobre cada uma delas e nem citar nomes, porque isso é pra lá de injusto e antiético, mas a questão é que não costumo dar sorte com amizades. No início é aquela coisa fofa de conversar toda hora, marcações em fotos, não se desgrudar e com o tempo, se a pessoa passar por você na rua é capaz de te tratar como se nem conhecesse. Foi por isso que de uns tempos pra cá mudei muitas coisas. Depois de me meter em várias roubadas, senti necessidade disso.  Não corro mais atrás  e faço questão de manter quem realmente se importa e vale a pena ao meu lado.

Já perdi as vezes em que fui “a amiga” em que descarregavam as mágoas, reclamavam do mundo, dos rolos e etc. Até que comecei a ver que tudo tem dois lados. E comecei a reparar também que a pessoa fazia o mesmo tipo para outras pessoas ou então quando precisava de alguém bem trouxa pra descarregar todas as coisas ruins, me procurava.  Sério, eu estava sendo sugada com tanta energia negativa.  Chegou ao cúmulo de algumas dessas pessoas me verem pessoalmente ou virem falar comigo pela internet e nem perguntar “- E aí, como você está? Tudo bem? Como vai a família e etc?” Não, a pessoa vinha questão de falar que a mãe fez não sei o quê, que o cara terminou e bláblá. Eu servia de psicólogo para essa galera. É engraçado, porque essas mesmas pessoas quando precisei estavam sempre ocupadas e sumiam. São poucas pessoas que cumprem a lei do retorno.

E sabe, o tempo me ensinou muitas coisas. Mesmo essas amizades não sendo maravilhosas comigo, aprendi muito com elas, então não foi de todo ruim passar por isso. Um dia, tomei a decisão de que era “hora de se livrar” ou “deixar livre” tais sentimentos e pessoas que não me pertenciam. Eu me amo muito e sei que mereço amizades melhores, pessoas que se importam comigo e independente do tempo estar cinza ou claro estão sempre ao meu lado. Melhor amigos que cabem em uma mão do que um milhão de amigos no facebook que não fazem a diferença. Mereço muito mais do que um “eu te amo pra fora” ou “estou com saudades” pelo whatsapp.

A vida é muito curta para perder tempo com amizades tóxicas que só vão te fazer regredir e que não acrescentam em nada. Foi assim que virei esse capítulo e comecei a escrever um novo, em que entram novos personagens e antigas amizades. Tanta coisa boa acontecendo no mundo, acho válido perder nosso tempo com isso. Coisas que nos levam para a frente e façam a nossa vida se mover aos pouquinhos. No final das contas, somos todos elfos livres.

Follow my blog with Bloglovin

Anúncios

Um comentário sobre “Somos todos elfos livres

  1. Oi Ju,
    Adorei o texto!
    Aprendi muita coisa com amizades nessa vida rsrs Muita gente não sabe o que significa ser um amigo de verdade e, assim como você, não tenho uma porção deles, mas apenas quem eu sei que realmente é próximo e amigo realmente para eu poder contar em todos os momentos e também estar disponível quando essa pessoa precisar de mim. No final das contas, a amizade é uma troca. Não pende mais para um lado ou outro. É algo em conjunto, para o bem dos dois. Uma cumplicidade que hoje em dia é realmente difícil de achar.
    Lembrei de um outro texto que li faz um tempão, que falava sobre se queremos ter amigos devemos ser amigos também. Acho que isso se encaixa bem no que você disse no texto. Talvez seja por isso que é tão difícil encontrar pessoas que façam isso: ser amigos também.

    Beijos
    Daisy – nuvemdeletras.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s