Diário de uma Escritora Outsider: #Dia1 Recordar é reviver

 

 

 

Há um tempinho, comecei uma coluna no Novos Escritores chamada “Desventuras de uma Escritora Outsider” contando sobre o meu processo de criação e os caminhos que percorri até terminar de escrever o meu primeiro livro. Só que aquele livro, concluído lá em 2013, não foi o primeiro que escrevi.  Eu tenho milhares de histórias iniciadas, mas que nunca foram concluídas. Um dos objetivos na minha vida é terminar cada uma delas e dizer”eu consegui”.

E é assim que nasce esse novo projeto. Vem comigo, vamos rebobinar o tempo. Há cinco anos, era um dia de semana, estava chovendo muito e o Rio de Janeiro estava em estado de alerta. Eu como todo mundo, estava presa em casa sem ter o que fazer. A única coisa que me veio a cabeça foi: vou escrever. Uma ideia tomou conta de mim e não conseguia parar. Foi uma das sensações mais loucas de toda a minha vida.

A história completou cinco anos. Nunca consegui terminar e fui interrompida várias vezes. Foi então que decidi que era hora de terminar e decidi também começar um novo projeto o “Diário de uma Escritora Outsider”.  Mas ao invés de dicas e conselhos a partir do que fiz como na outra vez, decidi dividir com vocês um diário onde vou contar o que estou passando ao terminar de escrever essa história que tira o meu sono.

Agora senta que lá vem história.

Quando comecei a escrever esse livro, trabalhava como operadora de telemarketing e tinha passado para a Faculdade de Letras da UFRJ. Eu estava entrando em uma nova vida, muito corrida e praticamente sem tempo. Não  tinha tempo pra dormir, ler livros e fazer trabalhos da Faculdade. Foram tempos difíceis, ou melhor horríveis que serviram e muito para o meu amadurecimento pessoal.  E foi em um dia de semana que a cidade do Rio de Janeiro entrou em estado de alerta devido a uma forte chuva que tudo começou. Eu me lembro que todo mundo foi obrigado a ficar em casa e foi dispensado do trabalho. Não fui a Faculdade e nem fui trabalhar. Lá naquela época, eu nem tinha internet direito em casa e não tinha o que fazer. Já tinha lido todos os meus livros e estava à toa. Me lembro como se fosse hoje, que eu e minha prima ficamos assistindo um programa de clipes na sala. Fazia muito frio e graças a Deus, só passava clipes e músicas legais na programação. Aquilo foi um start pra uma história surgir na minha cabeça. Naquela época, eu já escrevia, mas nunca tinha terminado uma história. Sempre acreditei por ser pela falta de tempo e acredito nisso até hoje. Naquela hora, toda uma história se desenvolveu na minha mente e comecei a conversar sobre ela com a minha prima. Eu me lembro que perguntei pra ela: – Qual o nome você daria pra uma personagem assim e etc?  Talvez ela não se lembre, mas a personagem carrega o mesmo nome que ela me disse naquele dia. Esse é um daqueles dias que nunca vou me esquecer. Tudo contribuiu para que começasse a escrever feito louca.

Cinco anos se passaram e nunca cheguei a terminar de escrever essa história. Virou a missão da minha vida terminar, porque essa história é aquela que “me define como Autora” e o livro que sempre sonhei em escrever. Nada me seduz mais do que uma história misteriosa e sombria envolvendo criaturas fantásticas. Como não posso dizer o nome ainda, vamos apelidá-la carinhosamente de “Crazycity”. E na última quinta-feira decidi que era hora de parar de procrastinar e mergulhar na finalização desse livro. Descobri que tenho mais de oito cadernos com rascunhas e capítulos e mais de mil folhas de anotação (papel e digitado)!!!! Vocês tem noção do que é isso? Foi a história que mais reescrevi, acho que passei das seis vezes e o último manuscrito que encontrei ia até a página 75.  Você deve estar se perguntando, como não terminou ainda esse livro? Então pega a pipoca, porque a saga parece não ter fim.

Como comentei lá em cima, eu não tinha muito tempo naquela época, mas tentei escrever o livro dentro de ônibus sacolejando, na minha mesa do trabalho, durante uma aula chata. Só que nem sempre dava, porque o fluxo de ligações  no meu trabalho era tão intenso que não tinha paz nem pra me concentrar (eu trabalhava no setor de reclamações, então imagine!), na Faculdade, vire e mexe o Professor fazia algo que exigia a nossa atenção e nem sempre encontrava vaga no ônibus pra vir sentada escrevendo.  Depois de um tempo, quando consegui tempo, fiquei com bloqueio. E nem foi porque eu queria, mas porque tive um problema pessoal que me impossibilitou e acabei sendo forçada a parar de escrever. Foram meses muito diferentes. Eu achava que tinha mudado e não me via mais escrevendo. Fiquei sem escrever e sem ler por muuuuuuuuito tempo até que um dia senti necessidade de escrever e de ler. Antes, eu me sentia vazia, mas quando senti as palavras vindo, vi que nada tinha mudado.  Tudo voltou ao normal e quando percebi, lá estava eu pesquisando tudo sobre o assunto que escrevia, com direito a muitas notícias e documentários. Foram períodos riquíssimos e fundamentais para o crescimento da trama. Foi ali também que reparei que precisava fazer uma grande alteração na história, que ela não seguiria se continuasse daquela forma, logo comecei a reescrever. Outra coisa é que costumo sempre pesquisar sobre as coisas que escrevo, mas esse livro sem dúvidas foi o que mais estudei. Foram livros de ficção, teorias e filmes que devorei para tornar a história mais crível. Foi também com esse livro, que segui uma dica da Diva J. K. Rowling, mas que nunca fiz com os meus outros livros. Eu montei várias fichas sobre os personagens: quem eles são, como eles são e seu futuro na trama. Deu muito trabalho, mas precisava fazer. Também notei que com esse livro, sou perfeccionista, mesmo sabendo que é impossível alcançar a perfeição.

Vocês devem estar se perguntando o que é essa história. Eu também queria contar, mas ainda não posso. A única coisa que posso dizer é que são sobre bruxas. E quem me conhece sabe a forte ligação que tenho com essas criaturas, que são as minhas preferidas. Acho que é por causa disso que tenho um todo cuidado. Quero passar tudo que está na minha cabeça pra que no final eu diga: pronto, consegui. Esse é um sonho de infância, de uma vida inteira.

Voltando aos dias atuais, decidi começar o processo de escrita e reescrita. Há uns meses já tinha reescrito uma parte e salvo uma versão bem melhor que as anteriores. Também encontrei várias anotações, mas muitas excluí (DESAPEGA, DESAPEGA, OLX) e outras salvei. No final, ficou o saldo de dois capítulos escritos com 3. 881 palavras escritas e reescritas. Tudo seria perfeito, se não fosse pelo fato de que o segundo capítulo na verdade se trata do terceiro ou do quarto. Foi aquele momento em que eu quis surtar, porque não era possível, isso não podia ter acontecido!!!

Mas isso aí é assunto pra um próximo post…

E aí, curtiram o post? Achei que seria legal dividir com vocês o processo de finalização por trás desse tão sonhado livro, principalmente porque tem sido um processo diferente. Eu estou muito animada e ao mesmo tempo ansiosa. Digam aí o que acharam e me contem se já passaram por isso e se tem algum comentário que possa me ajudar.

Prometo voltar e com capítulos mais escritos hahaha

 

Anúncios

2 comentários sobre “Diário de uma Escritora Outsider: #Dia1 Recordar é reviver

  1. olá! Adorei a sua história, a sua luta para terminar o livro. Eu também, sofro muito com isso, desde de criança sonho em ser escritora, mas é muito difícil pra mim, trabalho muito, de domingo a domingo, e o cansaço não me deixa ter inspiração. E além do mais, minha baixa auto estima não me deixa acreditar. Você tem algum Conselho? Eu espero que você nunca desista. Um beijo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s