Sim, eu escrevo Terror no Brasil

Olá seres que habitam esse universo (e todos os outros que vagam por aí)! Espero que esteja tudo bem aí do outro lado, por aqui está tudo bem.

Já faz um tempinho desde o último post nesse site – como é típico da minha parte – mas como já sabem essas coisas acontecem. Coincidentemente sentia muita saudade de postar aqui e além disso, fui surpreendida com os gráficos de visitas do blog. Não ocorre atualização desde Junho, mas isso não impediu que o site continuasse sendo visitado – muito bem – diga-se de passagem. Isso me animou bastante e me deixou muito surpresa. Que notícia incrível para receber! Yaaaaaay, passamos das 19 mil visitas! (Sim, vai ter post especial sobre isso) Muitas coisas aconteceram enquanto estive longe e uma delas foi uma fase bem chata, que me encontrei desanimada e desacreditada com o meu trabalho. Eu poderia não falar sobre isso, fingir que essa crise não aconteceu, mas não acho certo, nem justo com vocês. E foi assim que surgiu a ideia do post de hoje, em um clima mais intimista, ao mesmo tempo trocando umas ideias que já queria faz muito tempo com vocês.

Caso você tenha caído aqui de paraquedas, sou autora de Maratona Do Terror: Perdidos – Contos de Arrepio. Meu livro foi publicado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2015. Sim, faz 2 anos que meu livro foi publicado. Mas precisamente no dia 6 de Setembro e a data passou em branco, porque a Bienal estava rolando e achei mais justo comemorar depois que a Bienal passasse e em Outubro, já que é um mês que tem tudo a ver com o meu livro.

Bem, são dois anos oficialmente como escritora de terror. 2 anos de experiência, na pele e lutando para divulgar o meu livro. E se você pensa que é fácil… Não, não é. Na realidade acho que é o dobro da dificuldade que um escritor nacional enfrenta. Pelo simples fato de que escrever terror no Brasil é MUITO, mas MUITO difícil. Por quê? É o que vamos debater nas próximas linhas.

O dia mais incrível da minha vida: o dia em que lancei meu 1º livro *O*

Estamos no ano de 2017 e não é segredo para ninguém que a literatura – apesar de ter evoluído muito nos últimos anos, principalmente por conta das adaptações cinematográficas e lançamentos de livros de youtubers – anda mal das pernas no Brasil. O país está passando por uma crise (que crise?) e sempre que isso acontece, quais são os primeiros setores a sofrer com a queda? Sim, a cultura e a educação. Além disso, vamos concordar que o Brasil não é muito reconhecido por conta da sua literatura de horror. Apesar de termos André Vianco e Zé do Caixão como grandes exemplos em nossa literatura, o cenário literário do país é mais reconhecido pelos romances, sejam comédias ou dramas. Se vocês forem pesquisar a lista dos livros mais vendidos, vão encontrar esses títulos por lá. E ok, tá tudo bem. Eu consumo esse tipo de conteúdo, mas a questão é que o terror também existe e vive. Como lidar com isso? Como trabalhar com isso em um país no qual grande parte da população ainda não lê e quando lê, se dedica ao romance e é cheio de dedos com a contracultura? E ah, tem mais um ponto importante que eu ~ acho ~ que complica bastante a vida de quem trabalha com contracultura no país, o Brasil é um país predominante religioso e por conta disso, a arte mais sombria no país é vista com MUITO preconceito. Posso falar isso com propriedade pois: 1) trabalho com isso, 2) algumas pessoas da minha família que são religiosas nem se deram ao trabalho de ler o meu livro, por puro e simples preconceito.

Meu livro é direcionado para o público infantojuvenil e confesso que encontro muita resistência por parte dos pais e das escolas. Só de falar de que meu livro é de terror, elas se protegem com 7 pedras, alho e crucifixo. Encontrei muitos pais que apoiaram seus filhos e compraram o livro, mas também encontrei aqueles que não deram apoio. Foi muito decepcionante. É meio surreal que em plen0 2017, a gente ainda encontre esse tipo de resistência. Se eu ganhasse um real por cada pessoa que me olha como se eu escrevesse sobre exorcismos e rituais com demônios, eu estaria ryca em Paris. E mesmo se eu escrevesse, não teria problema nenhum. Esse é o meu trabalho. Olha aí Stephen King fazendo bonito!

Desde que lancei o livro, optei por eu mesma cuidar da minha carreira e confesso que essa atitude me deu mais confiança e segurança. Sou microempresária, gosto de ter controle de tudo. É claro que infelizmente isso pode ser desgastante e quando as crises chegam, tudo desmorona.

Ser autor nacional já é bem difícil, porque além de escritor, você é vendedor, faz o marketing, propaganda, etc. Mesmo que você consiga uma editora grande, você vai ter que trabalhar na divulgação (claro que de forma menos pesada, mas ainda assim vai ter). Quando se é autor de terror, a coisa se complica ainda mais. Não basta tentar encontrar e se conectar com o seu público alvo nas redes sociais, você também tem que pesquisar onde o seu livro pode ser aceito (como eventos, blogs, lojas, etc) porque nem todo mundo curte terror, mesmo que ele seja infantojuvenil. Porque pode acontecer de você participar de um evento que vão estar falando de romance e o público não se conectar com o que você vai falar, etc.

Eu conheço muitos blogueiros por causa do Novos Escritores e a quantidade que lê terror é baixíssima. Não estou querendo de forma alguma desmotivar alguém, mas acho que estava na hora da gente tocar nesse assunto. O nosso país já é um lugar que infelizmente não apoia a cultura, muito menos quando ela não se configura na categoria popular.

Não penso de forma alguma desistir ou deixar de escrever terror. Aqui estou eu, livre, forte e me preparando para o mês especial de Halloween (que sim, vai ter esse ano), mas ciente de que ainda existem muitas barreiras e preconceitos que tenho que vencer. Há dias mais tranquilos, mas também aqueles dias devastadores que eu me pergunto porquê escrevo, passo noites em claro pensando em fazer alguma coisa que me ajude a pagar as minhas contas e não tire o meu sono.

Tem uma outra questão que queria muito abordar aqui, que tem me incomodado bastante nos últimos anos. É a questão da literatura de horror ser lembrada apenas no Dia das Bruxas. Eu amo/ sou Halloween. É a minha segunda data preferida do ano – depois do meu aniversário – é claro rs. Adoro ver meus leitores me mencionando e lembrando de Maratona Do Terror nessa época, mas é MUITO complicado ser lembrado APENAS nessa época. O terror vive e existe nos 365 dias do ano. É possível sim ler, fazer vídeos sobre livros de terror, sobrenatural, ficção científica, fantasia e mistério no Carnaval, no Natal, dia dos namorados, dia dos avós e nas férias. Isso ajuda muito quem produz esse tipo de conteúdo. Nossas obras são lembradas, vendemos e nossos nomes circulam por aí. Que é o que todo autor nacional mais quer. É como costuma dizer a minha avó: quem não é visto, não é lembrado.

No meio desse ano, pedi indicações de autores nacionais de terror nas minhas redes sociais. Recebi muitos comentários, muitas dicas e separei em uma lista. Pretendo fazer alguma coisa sobre isso algum dia. Criar uma lista aqui no site, quem sabe um projeto de leitura, mas isso demanda bastante tempo. E vocês sabem, infelizmente quando a gente não vive só disso (no caso eu), não tem como dar prioridade. Por enquanto estou tentando levar e ter compromisso aqui no site como leitora, por mais que seja meu site de autora. É o jeito que tenho de alimentar e contribuir com as coisas que mais gosto e não tem tanto espaço no cotidiano. Falando nisso, recentemente criei um perfil no wattpad para divulgar os meus escritos. Tem sido uma experiência incrível, apesar da minha resistência com o site e achar ele BEEEEEEM bugado (palavras de quem já administrou uma rede social de livros e tem experiência ;)). Deixei uma prévia de Maratona Do Terror, criei 505 (uma pasta para divulgar textos aleatórios como contos, crônicas e poemas) e minhas fanfics. Comecei super animada, mas já aceitei e deixei claro que vou postar quando puder. Infelizmente ainda não vivo só disso, trabalho com outras coisas e quando essas coisas que me dão dinheiro me dão tempo, é que eu me dedico aos livros. Infelizmente vai ser assim enquanto a escrita não for o meu ofício integral. Fazer o que é, né?

A questão é que queria muito dividir com vocês algumas coisas e pontos que andam flutuando na minha mente sobre ser escritora de terror nesse país de meu Deus. Eu queria mostrar que sim, escrevo terror no Brasil. E sim, eu existo e insisto! Muitos pontos ficaram de fora, porque não cabiam aqui e o texto ficaria bem longo. Porém pretendo abordar e debater no futuro.

Mas agora quero saber de vocês autores e leitores de terror, como é a vida de vocês? Contem como é rotina de vocês. Dificuldades, histórias, feitos e coisas legais que já aconteceram. Prometo que volto em breve e com mais informações sobre o mês das Bruxas que está quase batendo na porta.

Bons sustos :*

Beijos,

Ju

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Um comentário sobre “Sim, eu escrevo Terror no Brasil

  1. Oi, Ju! Não desanima em relação à resistência. Lembro de ter lido em algum lugar que teve uma época em que os livros do R. L. Stine foram até banidos das escolas nos Estados Unidos, acredita? Eu acredito que as pessoas estão mais flexíveis, mas ainda há muito preconceito, sim. Bom ver texto novo seu por aqui!

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