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Como tudo começou ou manual do terror de uma criança dos anos 90

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Hello darkness, my old friend.

Faltam dois meses e alguns quebrados para o Halloween, essa época tão mágica e simbólica para mim e achei que era a melhor hora para começar uma nova era. O dia das bruxas é a minha segunda data favorita do ano – em primeiro lugar vem meu aniversário, em segundo Halloween e em terceiro, o natal – . Não me lembro exatamente quando começou essa minha paixão pela data, mas tenho recordações muito intensas de ser bem novinha e estar assistindo Abracadabra na sessão da tarde e morrer de inveja dos gringos que podiam curtir o Halloween, enquanto eu não. Eu era doida para me fantasiar, participar de rodas com histórias assustadoras ou presenciar algum evento apocalíptico que fizesse as minhas pernas tremerem mais que vara verde. Outra lembrança que também tenho é de um 31 de Outubro cair em um sábado e o tempo estar super nublado. Naquele dia fiquei bem triste de não poder ir em nenhuma festa a fantasia, mas saí pela casa brincando com uma vassoura até o meu pai reclamar. Recentemente minha tia me mostrou uma fita bem antiga de uma criança muito feliz cantando uma canção sobre uma bruxa que aprendeu na escola. Adivinha quem era? Isso mesmo, euzinha. Acho que já estava predestinado que eu seria mística. Maktub, já estava escrito.

Sempre me identifiquei demais com a cultura sobrenatural e histórias de bruxas. Assisti A bruxa de Blair aos sete anos e apesar de morrer de medo, fiquei C O M P L E T A M E N T E fascinada. Eu tinha em torno de 7 a 9 anos e conversava com os atendentes da locadora de igual pra igual sobre o filme. Além de chegada ao ocultismo, também era metida a adulta, mas ora vejam só. Um tempo depois me tornei assinante da revista da Barbie que tinha uma seção para histórias de terror. E eu era obcecada por essa coluna, não perdia uma edição. Eu lia todos os volumes, mesmo as que eu não tinha e pegava emprestada com as amigas. Até que produziram um número da revista especial de Halloween e eu pirei. Essa revista foi tão significativa para mim que guardo até hoje  comigo. É engraçado, porque esses momentos são tão simples, mas ficaram marcados na minha memória.

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Conforme os anos passavam o interesse pelo sobrenatural só aumentava. Quando criança, adorava assistir os episódios de terror do Chaves e Chapolin. Eram produções inofensivas, mas já sentia os ingredientes de um filme de terror presentes ali. Outro detalhe é que o meu pai frequentou durante MUITO tempo um centro espírita (hoje não mais) e desde pequena ele me contava tudo o que sabia e histórias que aconteciam. Eu morria de medo, mas meu pai – que é uma das pessoas mais tranquilas que conheço – disse que eu deveria ter medo dos vivos e não dos mortos. Conviver com o sobrenatural apesar de estranho, sempre foi uma coisa que fez parte da minha vida. Querendo ou não.

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Nessa época não perdia Abracadabra de jeito nenhum e descobri por acaso um programa que passava durante a tarde na Record, cujo episódio me fez tremer de MEDO. Com o arrepio, também vinha uma estranha admiração e a adrenalina. Me lembro até hoje do episódio. Era a história de uma garota que visitava um museu e as pessoas acabavam ficando presas dentro dos quadros. Falando assim parece não ter nada demais, mas aos oito anos isso metia um medo surreal em mim. Esse programa era o Clube Do Terror que apresentou Sir R. L. Stine ao mundo e passei a assistir todos os dias, sem perder um episódio. Sempre que eu chegava da escola, sabia que tinha que almoçar para assistir de tarde. Ah, bons tempos! Mas o episódio do museu sem dúvida foi o que mais me marcou. Assim que terminava o Clube Do Terror, vinha Sabrina – Aprendiz de Feiticeira que é uma das minhas séries favoritas da vida. Eu amava as confusões que ela se metia, a mitologia tão única e objetiva que a série se propunha (que assim como Neil Gaiman, não precisa explicar o que cada coisa é ou como funciona, como se estivesse lendo Senhor dos Anéis). Outra lembrança muito gostosa que tenho é de assistir os episódios especiais de Halloween dos Simpsons, Treehouse of Horror. Esses programas especiais me deixavam mais animada para a época mais trevosa do ano. Como os episódios especiais de Dia das Bruxas da Nickelodeon e da Disney que sem dúvidas são as minhas maiores referências e não me canso de assistir até hoje. 

987639Uma pessoa teve muito peso nessa minha introdução ao mundo do terror. Minha relação com o escritor R. L. Stine é repleta de coincidências que valem a pena compartilhar. Uma vez estava acontecendo uma feira do livro na minha escolha e não tinha dinheiro para comprá-los. Eu sempre ficava babando o livro, hipnotizada porque nunca tinha visto um livro com uma capa tão bonita. Foi a primeira vez que vi um livro que chamou tanto a minha atenção. Na época ele era caro e mesmo pedindo, não tinha como comprar. Era o exemplar de Admirador secreto da coleção Rua do medo do R. L. Stine. Lá estava eu, mais uma vez conectada a ele. Não consegui comprar o livro e até hoje não li, mas é aquele sonho de criança que ainda pretendo realizar. Essa memória é tão forte que comecei há 3 anos a fazer coleção dos livros dele.  Quem sabe um dia isso se realiza? Sonhar não custa nada.

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Logo depois descobri a hora do arrepio e Goosebumps, que passavam respectivamente no SBT e Globo e fiquei viciada. A TV nos anos 90 é o equivalente ao que é o computador  para a sociedade hoje em dia. Descobríamos muitas coisas ali: bandas, séries, livros, culturas, documentários. Se os pais de vocês reclamam muito de ficarem na frente do computador, na minha época reclamavam da minha geração não sair da frente da tv. Não lembro exatamente como foi o meu primeiro contato, mas foi nessa mesma época que descobri Buffy. Eu não perdia um episódio e a personagem se tornou a minha heroína favorita. Ficava encantada como uma garota podia ser tão poderosa e enfrentar o mal em sua forma mais obscura. Desde então se tornou uma das minhas séries favoritas e lembro de ficar bem chateada quando a TV Globo parou de exibir (é, eu sou velha). Eu chorei horrores quando a Sarah Michelle Gellar postou no instagram uma foto comemorando os 20 anos de Buffy. É muito nostálgico e a série mexe muito comigo, porque faz muito parte de mim. De um jeito que não sei explicar. Não existe uma vida sem Buffy, ela está nas minhas boas memórias.

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Outra coisa que me ajudou muito foi a série vaga-lume que sempre tinham histórias mirabolantes envolvendo detetives, fantasmas e assassinatos. Na falta de livros para diversão, os livros extraclasse e da biblioteca da escola eram o meu refúgio. Eis que um belo dia conheci Harry Potter que não é necessariamente sobrenatural, mas sim uma fantasia urbana com toques de mistério, terror e sobrenatural. Ali acho que confirmei o pacto que tenho com o lado soturno. E não parei mais. Eu cresci com Harry Potter, sou da época em que os livros eram lançados e tínhamos que esperar os próximos serem publicados. Ficava muito entediada e na falta das aventuras de Hogwarts, me aventurei e me encontrei nas tramas da Agatha Christie, com detetive Poirot e a senhorinha Miss Marple. Lembro da sensação que senti ao ler A mansão Hollow e O assassinato no expresso do oriente. São aquelas sensações que você nunca esquece e sabe que não vai sentir de novo. Acho que acontece quando um livro, uma música, uma pessoa é especial e te cativa desse jeito tão mágico. Me apaixonei pelo romance policial e me joguei nos livros do gênero mais dark. Conheci Stephen King, seu filho Joe Hill, os romances sobrenaturais e vampirescos que vieram na mesma linha que Crepúsculo e me viciaram. 2010 trouxe a sua safra mais pura de romances sobrenaturais e só tenho a agradecer, porque graças a eles senti interesse de me aprofundar e procurar livros com temáticas mais obscuras. Fora que os romances sobrenaturais dessa época são viciantes e maravilhosas. Eu me divertia tanto lendo. Essa é uma moda que sinto falta e tenho fé de que um dia retornará!

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Os filmes e as séries foram outro acréscimo para o meu acervo. Bruxa de Blair me fez descobrir muitas coisas que seguiam a mesma linha como Jovens Bruxas, os filmes temáticos do Scooby Doo (e a série). Família Addams me inspirou a ser weird da forma mais autêntica possível, os filmes japoneses de terror tiraram o meu sono durante muitas noites e séries como Twilight Zone me deixavam vidrada e pensando como não conheci isso antes? Pretty Little Liars é uma série que também me incentivou a seguir um caminho mais dark. O roteiro não é lá essas coisas, mas o enigma dos primeiros anos, os episódios especiais de Halloween me deixavam enlouquecida. Outras duas memórias de criança bem marcantes que tenho é de assistir um episódio do Você Decide com uma família que no final se revelava vampira e um programa de terror que passava aos Domingos depois do fantástico em que os mortos vivos saíam do túmulo para assustar. Esse último me deixou em pânico, eu era muito novinha e nem devia estar acordada assistindo.

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Para completar, a música veio para complementar essa paixão pelo sinistro. Com uma família apaixonada por Michael Jackson, é claro que eu seguiria esse mesmo caminho. Desde pequena tenho uma profunda admiração por ele e por Thriller, Billie Jean, Ghosts e entre outras músicas. Uma coisa que não mudou é que continuo apaixonada por artistas de música pop que criam músicas sinistras como Britney Spears (Blackout é um belo exemplo, né?) e Sweet Dreams do Eurythmics. Quando adolescente era roqueira e como todo mundo sabe, o rock é trilha sonora presente em quase todos os filmes de terror. Eu amava o conceito do Slipknot, achava meio lúdico e sombrio as letras do Korn, o visual catártico e as músicas incríveis do David Bowie. O conceito por trás das produções do Marilyn Manson que pra mim é um dos artistas mais criativos dos últimos tempos. A genialidade por trás das letras e mensagens do Panic! At The Disco. Eu respiro música e se deixar fico falando aqui o dia inteiro… Eu adorava o visual com roupas pretas, blusas largas e coturnos estilosos. O rock é uma coisa que já superei, mas ainda amo e acho incrível toda a ideia por trás do rock e a filosofia dark.

Já mais velha conheci Edgar Allan Poe e o nosso primeiro encontro não poderia ter sido mais assustador. Tentei pegar emprestado um livro dele com uma amiga e comecei lendo o conto no qual o personagem é enterrado vivo e o meu susto foi tão grande que larguei na mesma hora. Mais tarde entendi que ainda não tinha maturidade para ler aquele livro e tudo bem, porque anos mais tarde reencontrei com Poe na faculdade e tive a oportunidade de fazer um tcc sobre ele, que é sem dúvidas uma das coisas das quais me orgulho. Também tive a oportunidade de conhecer Supernatural e por incrível que pareça não foi amor à primeira vista. Nessa época, meu noivo que já era meu namorado era muito fã da série e vivia dizendo para assistir, mas tinha muito medo. Até que um belo dia, incentivado por ele e uma das minhas melhores amigas, me rendi e foi um caminho sem volta, porque se tornou um dos meus maiores vícios. E para completar a minha felicidade, meu pai e minha irmã também se tornaram fãs. Negócios da família, né?

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Todas essas referências me levaram a uma das maiores realizações da minha vida: meu livro Maratona Do Terror. Já falei várias vezes em outros posts sobre ele, mas a minha intenção ao publicar esse livro era homenagear todas essas referências que construíram o meu eu leitor, o meu eu escritor, o meu eu crítico como ser pensante. Tudo isso me fez ter certeza que eu queria muito ser escritora de terror de livros infantis, que o meu negócio era escrever para crianças, relembrar aquela fase tão importante na minha vida e inspirar elas a construir um mundo lúdico, inspirador e criativo. Posso não mais ostentar as pulseiras de metal, me vestir de rosa, ser good vibes, mas não consigo me desvincular desse mundo místico com bruxas, vampiros, lobisomens, fadas, fantasmas, sereias e finais eletrizantes. Algumas coisas nunca vão mudar e nem quero que mude ❤

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