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No universo das pequenas coisas

2019 foi o ano que eu menos escrevi. Trabalhos, correria, redes sociais, boletos e retiro espiritual, que seja. Foi um ano que não consegui cumprir as minhas metas e me senti muita desapontada por isso.

Eu decidi então que 2020 seria o ano da escrita, que me dedicaria as leituras e principalmente a me reencontrar como escritora. Esse post não é para os meus amigos, para algum idiota vazar para alguém da família, nada disso. O papo aqui é sobre arte e esse post é para os criativos, libertos, escritores, leitores e amantes daquilo que mais desperta a nossa alma: ficção. Seja ela em palavras ou em tons.

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Completo cinco anos de carreira esse ano. Vai fazer cinco anos que publiquei Maratona Do Terror e depois dele ensaiei alguns retornos. Escrevi contos, terminei alguns, outros não. Quase terminei alguns romances, me enveredei nos NaNoWriMo’s da vida, mas nunca consegui terminar nada. E essa impossibilidade me fez questionar muitas coisas. Existe vida pós primeiro livro publicado?

Antes de Maratona Do Terror, já tinha concluído um livro que ainda vive sob as sombras do meu HD. Eu sinto uma vontade enorme de escrever, mas raramente me sinto estimulada a terminar os livros não concluídos. Algumas ideias surgem, anoto nos meus papéis, escrevo nas notas do celular, mas nada flui. Tem alguma coisa errada.

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Tem sim. Em algum momento me perdi como escritora. Perdi as minhas referências,  a ligação com o que me fascina. O não contato com a arte nos deixa oco e fúteis (calma que eu vou explicar). Quando digo fúteis, quero dizer que a gente se agarra as questões superficiais da vida. Nada que não possa nos prender. Não escrever um livro é um exemplo disso. O medo do relacionamento, de se entregar, se envolver. Só que eu decidi que era hora de correr atrás do tempo ou livro perdido, de botar as ideias, as frases no papel. Preciso libertar tudo que está guardado dentro de mim e me lembrar quem eu sou, e a escritora que eu fui em algum momento na minha vida.

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Decidi começar relendo os meus livros favoritos. Eu tenho uma verdadeira queda por terror, fantasia urbana, ficção científica, anos 80 e referências a cultura pop. E onde eu poderia encontrar isso? Sim, em Neil Gaiman. Mais especificamente em Coisas Frágeis, um livro onde Neil dá uma verdadeira aula de construção de contos, mas de uma maneira divertida e lúdica. E que eu mais senti falta nesse tempo sem escrever foi do místico e do etéreo que rondam as histórias como em sextas – feiras noites sombrias, as garotas estranhas das festas, de um alienígena de mais de mil anos, de uma garota que larga tudo para seguir um mago e de um grupo de amigos nerds que caçam vampiros enquanto não jogam videogame.

Eu sentia falta do mágico, do sonhar, do descompromisso. Aquela parte que o dia a dia, que a rotina, que as notícias ruins, que a doença e a violência não nos alcança. Porque ler é sim sonhar, ler é viajar por mil lugares, conhecer culturas e pessoas. Outro mundo que você pode desvendar no simples ato de abrir um livro.

E é muito doido como histórias podem te lembrar quem você é. Eu sempre gostei de uma narrativa doida, fora da curva que não fizesse sentido ou fosse totalmente trash. Como é bom ler um livro que poderia facilmente ler numa sessão da tarde de dia de Halloween. Como é bom ser novamente aquela pessoa que se diverte com um livro de forma desprentenciosa. Como é bom sentir que conhece os personagens só de ler sobre eles. Como é bom se sentir conectada com o místico e o lúdico outra vez. Como é bom sonhar de novo.

No meio disso tudo, estou me encontrando aos poucos. Talvez um pouco mais perdida, mais mística, mais espiritualista, mais velha. Mas abraçando mais o lúdico, essa jornada que é retornar para um mundo que tanto amei e que não pretendo mais abandonar. Nesse meio tempo também aprendi que escrever é disciplina e dedicação. E compreendi que vão existir erros e vamos aprender a repará-los. E que a Juliana que escreveu aquele livro cinco anos atrás não é a mesma que escreve agora. E tá tudo bem. A carreira de um escritor também é feita de fases e eu tô pronta para os parafusos soltos, banhos inspiradores e inspirações de madrugadas. Deuses da inspiração, meu corpo está pronto. É hora de voltar para o sonhar.

“Nesta reconstituição dos fatos, eu disse coisas que não devem ser ditas. Se eu tivesse bom senso, queimaria estas páginas todas. Porém, como meu amigo me ensinou, até cinzas podem revelar segredos.” (Neil Gaiman, Coisas Frágeis)

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