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Como sobreviver ao fogo

Não sei se vocês sentem isso, mas Rolling in the deep da Adele é o tipo de música que vejo como um hino de superação e também como uma música sobre vingança. É o tipo de música que quando escuta, te acende por inteiro e você compreende que vai conseguir superar tudo que pensava não conseguir. Como eu com os meus livros jamais concluídos. Porque terminados é uma palavra muito feia. Meu Deus Juliana, como ousou escrever isso?

Minha professora de Variação da Língua Portuguesa na faculdade costumava dizer em suas aulas que depois de escrever um texto, era bom se afastar dele por um tempo. Guardar em uma gaveta, passar uns dias sem tocar nele e reler novamente uns dias depois para ver se está bom, se tem algum erro ou se há necessidade de reescrever tudo. Esse é um ótimo conselho, menos ficar muito tempo longe do seu texto. Aí não, porque pode dar ruim. E é onde eu vim acabando parar. Nesse limbo da escrita. 

Notebook-Mac-Pro-Apple-3Nesse hiatos de escrita, acabei também ficando muito tempo sem escrever e sem ter contato com as minhas histórias. E eu não faço mais a mínima ideia do nome do avô da Camila ou o que aconteceu com aquele personagem secundário que foi até a África do Sul proteger as pedras encantadas. Me afastar do meu texto me tornou uma estranha pra ele. Me tornei aquela conhecida da família que não vê há séculos e toda vez que te vê, insiste em fazer os mesmos comentários de sempre:

– Nossa, como você cresceu!

No meu caso é “nossa, eu não lembro de ter escrito isso. Tem certeza de que fui eu? Será que eu estava bêbada?”

 

Pessoas Que Sofrem Da Síndrome De Esquecer A História Dos Seus Próprios Livros: 1 membro.

Manter a sua história fresca é sim uma baita prova de fogo.

Porque esquecer uma coisa tão importante quanto o seu ofício te faz se sentir uma fraude, chateada, triste, um fracasso. Você se sente como se não conhecesse a sua história de verdade. E aí vem a prova dos nove: será mesmo que você conhece? Como vai escrever a história de alguém que não conhece? Para onde você vai? Será que errou? Só que esquecer é completamente normal, porque nossa vida é uma correria sem fim. E cada pessoa tem uma prioridade diferente e às vezes isso pode acontecer. Como aconteceu tantas vezes comigo e continua acontecendo.

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Nesse processo de me reencontrar como escritora, estou vivendo essa fase novamente. Eu compreendi que não tem como prosseguir, evoluir sem retroceder. Às vezes alguns passos para trás podem ser uns passos para frente. Alice no País das Maravilhas já tinha dito isso.

É nessa hora então que você dá play em rolling in the deep e abre o arquivo do seu texto preparado para a próxima batalha. Porque não há vitória sem guerra. E você vai sobreviver ao fogo. Assim como estou sobrevivendo.

 

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