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A inesquecível estrada da noite

                                                                                             Amor ❤

Não é segredo para ninguém que sou apaixonada por terror.  Sejam livros, séries, filmes ou até mesmo jogos. Eu posso até ter que dormir de luz acesa, mas o fascínio e a paixão são maiores que tudo. Não foi à toa que escolhi o terror como gênero que me defini como Autora. Como já comentei aqui anteriormente, tentei de todas as formas lutar contra esse estigma. Até que decidi me render e abraçar a escuridão. Aceitar que curto o terror foi uma das melhores coisas que já fiz na vida.  Coisa que nem Freud explica. Vai entender!

Nessa minha jornada particular pelo terror, tem dois assuntos pelo quais sou louca: Hotéis e estradas. Não sei explicar o motivo exato, talvez seja, porque o primeiro guarda muitas histórias de várias pessoas de raças, sexos e lugares diferentes. Fora que existem alguns hotéis antigos que parecem ser assombrados. Já o outro é um lugar tipicamente deserto e abandonado. Passei grande parte da minha vida viajando para o interior e encarando estradas desertas. Li livros durante o trajeto, dormi e sonhei com coisas. Acho que estradas são lugares definitivamente inspiradores para pessoas com imaginação fértil como eu.

O caso é que sou MUITO fã do Stephen King. Desde que 1408 e O Iluminado entraram na minha vida (justamente duas histórias em que a figura do hotel são protagonistas das histórias), tenho procurado ler cada vez mais sobre a respeito. Só que eu não sabia que o King tinha um filho que também é autor de terror. Eu lembro que quando descobri fiquei muito surpresa e com certo receio. Primeiro porque o cara é filho de um gênio e imaginei a pressão que deveria ser. Segundo, que já vi exemplos de filhos de artistas como atores, diretores, cantores e escritores que tentaram a carreira artística dos pais, mas não deram certo, porque não tinham talento. Deixei a ideia de lado por um tempo até que fui apresentada ao livro “A Estrada da noite”. Não posso negar para vocês que foi amor à primeira vista. Tive que então dar o braço a torcer. Tá bom Joe, está na cara hora de te conhecer! E em uma promoção na qual o livro estava nove reais, vi que o destino estava atuando ao nosso favor. Quando o livro chegou, tive que deixá-lo passar a frente de todos, porque a curiosidade estava me matando.

                                                                Tal pai, tal filho. Como eles são parecidos!!!!

O caso é COMO EU PUDE DEMORAR TANTO TEMPO PARA LER A ESTRADA DA NOITE?! Sabe aqueles livros que se você pudesse apagava a história da sua cabeça só para sentir aquelas sensações e emoções tudo de novo? Então, A Estrada da Noite se encaixa perfeitamente nessa categoria. Se eu pudesse, usaria a penseira do Dumbledore para esquecer e poder viver tudo novamente.

 

A Estrada da noite, escrito por Joe Hill e publicado pela Editora Arqueiro conta a história de Judas Coyne (só eu vi a referência a banda de rock Judas Christ?), um roqueiro super famoso, traumatizado pelo histórico familiar por causa do pai violento e outros fantasmas como as mulheres que fez sofrer e os colegas de banda que traiu. Ele também é conhecido pela sua coleção de objetos macabros como um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Até que um dia, Judas fica sabendo de um estranho leilão na internet: “Vou ‘vender’ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…”. Ele que adora uma competição dá o valor mais alto, de mil dólares e se torna o proprietário do paletó do morto que é assombrado pelo dono. O terno é entregue ao roqueiro em uma caixa de coração preta e a partir daí, uma série de coisas estranhas acontecem. A presença do morto não é só imaginária, mas também real. O tal fantasma era pai de uma fã de Jude, que se matou por causa dele. E não, isso não é spoiler, está na sinopse do livro. 

Preciso confessar que quando comecei a ler o livro, só lia de dia. Só que o livro foi tomando um rumo que me vi virando madrugadas devorando a história. Fiquei dividida em ler tudo e não terminar, porque estava bom demais. O fato é que o livro tem um clima beeem sombrio. O Judas mora com a sua namorada gótica Geórgia em uma fazenda com os seus cachorros. Imaginem aquelas fazendas dos Estados Unidos longe de tudo e de todos? Se algum crime acontecer, até descobrirem, a tragédia já estará instalada há muito tempo… A história tem uma narrativa muito bem desenvolvida. Mesmo o Judas sendo durão, torci por ele o tempo todo. Combater forças sobrenaturais é muito mais difícil do que inimigos vivos e a história passa muita tensão e aflição. A pobre da Geórgia sofre horrores e apesar da sua personalidade maluquete, me apeguei a ela. É o tipo de personagem que não tem papas na língua, que fala o que pensa. Ou seja, me conquistou fácil.

Pai e filho em momento de diversão

Por fim, Joe me impressionou demais. É claro que comparei ele com o pai em diversos momentos, mas cheguei a conclusão de que sou fã dos dois, só que de diferentes formas. Enquanto King não liga se tiver que passar 500 páginas para introduzir uma história, Hill é mais direto, objetivo. O engraçado é que encontrei uma semelhança entre os dois. Uma das coisas que mais admiro nos Autores de Terror são suas tramas carregadas de exemplos de esperança e fé. King já confirmou que faz isso em entrevistas e é uma das características que mais admiro nele. 1408 e À espera de um milagre são exemplos disso. Pelo visto, Joe Hill puxou o pai, porque durante a história, podemos ver Judas se redimir. Uma das coisas que mais gosto é ver o crescimento de um personagem. No final, percebi que tinha virado fã e agora mais do que nunca, preciso ler a bibliografia inteira do Joe Hill. Um dos livros que mais tenho desejado é O Pacto. Só lamentei profundamente a Editora lançar uma nova leva com a capa do filme e ainda por cima com o título mudado. É pra enlouquecer qualquer fã xiita. Fala sério!

Queria saber o que o King leu para o Joe quando era criança, porque deu certo viu? Não sei vocês, mas nunca mais vou conseguir olhar uma caixa de coração do mesmo jeito.