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5 contos para ler no dia das bruxas {Mês Especial do Halloween}

No Mês Especial de Halloween, não pode faltar contos de terror para ler na data mais mágica e assombrada do ano. Pensando nisso, fiz uma lista com 5 contos de terror que vocês precisam ler para entrar no clima dark. Tem literatura nacional, terror psicológico e muitos elementos sombrios. Partiu para o nosso top 5?

51b3syhEmfL._SY346_Sacrifício (Monique Lavra) – O conto de Monique Lavra é um terror psicológico que adquiri na Amazon e narra a história de Gabriel, um rapaz que busca abrigo em um pequeno hotel de beira de estrada em uma noite de tempestade. Ele é recebido muito bem, todos são muito gentis, até que o ponteiro do relógio marca meia – noite. A história é surpreendente, a trama é muito bem estruturada e apesar do gênero fantasioso, o conto passa a ideia de realidade muito forte. Adorei que o conto possui um hotel sinistro como cenário, como fã de Stephen King, essa construção ajudou a criar a atmosfera e clima necessário. Fiquei chocada com o rumo dos acontecimentos, o conto não é previsível e tem um final arrebatador. O conto é surreal e tem tudo a ver com o Halloween.

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1408 (Stephen King) – É claro que não poderia faltar Stephen King nessa lista, né? Eu costumo dizer para quem quer ler Stephen King ou quem não curtiu as histórias dele, para ler algum conto do autor. 1408 é um conto que faz parte do livro Tudo é eventual e enquanto no romance, Stephen é mais adepto de um desenrolar mais demorado, seus contos são mais climáticos e surreais. 1408 conta a história de Mike, um escritor de livros de terror que não teme o sobrenatural e decide se arriscar no quarto de um hotel que dizem ser assombrado e todas as pessoas que se hospedaram lá, morreram. O conto é incrível, muito bem escrito e é perfeita a forma como Stephen King criou a atmosfera que contribui muito para o grande finale. É uma verdadeira montanha russa de emoções que vai deixar a sua noite de Halloween super eletrizante.

hplovecraftA cor que caiu do espaço (H. P. Lovecraft) – A cor que caiu do espaço foi o meu primeiro contato com Lovecraft e é um dos contos mais incríveis que já li em toda a minha vida. Nesse conto, vamos nos deparar com a história de um vilarejo a oeste de Arkham no qual um meteoro acaba caindo e destruindo a flora e a fauna do local levando os moradores ~ literalmente ~ a loucura. Lovecraft constrói a atmosfera de uma forma incrível e acredito que essa deve ser uma das suas maiores qualidades. Ele dá uma verdadeira aula de construção e clima de atmosfera no cenário. O conto é um horror cósmico e fiquei completamente envolvida com a leitura. E apesar de ter lido de dia, isso não me impediu nenhum pouco de sentir medo e ficar agoniada. Para quem busca um clima dark e muita ficção científica, o conto é um ótimo pedido.

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As cores do além (C. A. Saltoris) – C. A. Saltoris é uma das minhas autoras favoritas e tem o dom de escrever histórias macabras que mexem bastante com o nosso psicológico. As cores do além conta a história de Joshua Morris, um jovem cineasta com um futuro promissor e muita imaginação. No dia 31 de outubro, ele decide pernoitar na locação do seu próximo filme: um parque de diversões abandonado. Ao acordar, ele é surpreendido pela morte… e suas cores. A criação de elementos no conto é fantástico. A forma como Saltoris coloca ficção com realidade e cria metáforas através disso é feita com muita riqueza. Ainda por cima, a história se passa no dia das bruxas. Quer coisa melhor? Eletrizante e macabro, vocês não vão se decepcionar. É um conto perfeito para ler no dia das bruxas.

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O buquê (Lauren Miracle) – O conto faz parte do livro Formaturas Infernais com diversos autores e é uma adaptação e inspirado no conto A pata do macaco de W. W. Jacobs. O conto conta a história de Frankie, uma adolescente que as vésperas do baile de primavera da escola, quer descobrir se o seu amor pelo melhor amigo Will é recíproco. Ela decide consultar a Madame Zanzibar e encontra um buquê com flores murchas e é avisada que pode pedir 3 desejos. Mas precisa ter muito cuidado com eles. A garota faz o pedido e a forma como a história se desenrola é surreal. O conto é eletrizante, muito bem construído e tem um plot twist incrível. Acho que é um dos contos mais uou que já li em toda a minha vida. É uma super pedida no Halloween e aposto que vai tirar o sono de vocês no dia das bruxas.

E vocês, tem algum conto de terror para me indicar? Quais contos que não podem faltar no Halloween? Me contem nos comentários que quero descobrir!

Um feriadão trevoso!

Mil beijos,

Ju

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A ficção vira realidade: lendas sobrenaturais {Mês Especial do Halloween} · A Loira do banheiro · A mulher de branco na estrada · Contos · Contos de Arrepio · Contos de Terror · Halloween · Jogo do Copo x tabuleiro Ouija · Lendas sobrenaturais · Mês Especial do Halloween · Paranormal · Teorias · Terror · [A ficção vira realidade]

A ficção vira realidade: lendas sobrenaturais {Mês Especial do Halloween}

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O Halloween está se aproximando e esse clima de época “sombria, dark e misteriosa” que é atrelada a data não é a toa. Acontece que o Dia das Bruxas se originou do Samhain, um festival que comemora a passagem do ano celta. É uma espécie de ano novo, no qual eles celebram o fim do ano velho e a chegada do novo. O Samhain marca o início do inverno e dizem que era uma época em que a alma dos mortos retornavam para suas casas para visitar os familiares, buscarem alimento e se aquecerem em frente a lareira. Acredita-se que com a mistura dos povos e o êxodo acabou originando – se o Halloween, que é a véspera do dia de todos os santos. Segundo supersticiosos, é nessa época que a roda do norte (do hemisfério norte) gira. A roda no hemisfério sul rodou no dia 1º de Maio, o que seria o equivalente para nós da data do Halloween.

E como não poderia deixar de ser, é claro que muitas lendas sobrenaturais são lembradas nessa data mágica. Desde que comecei a escrever, arquivei várias histórias.  Como todo mundo sabe, essas lendas costumam ser inspiradas em histórias e mitos dos folclores locais. Um costume muito praticado na civilização por diversas gerações. Desde que comecei a escrever as minhas histórias, tenho o hábito de fazer muitas pesquisas a respeito. É uma forma de inspirar e nos ajuda a encontrar a coerência para a história, obedecendo mitologias, datas e histórias locais. Já escrevi sobre uma aqui no site. É o caso da Bruxa de Monterrey que já foi ao ar por aqui e fez muito sucesso na época. Estou pensando em retornar com essa coluna e decidi começar hoje, relembrando com vocês algumas lendas e casos sobrenaturais que fazem parte do nosso imaginário e folclore. Não faço ideia se são verdadeiras ou não, mas estou passando para vocês tudo o que li e ouvi durante todo esse tempo. Deixando claro e advertindo TODAS as pessoas que vão ler esse post, para não repetir ou realizar essas brincadeiras. Sabemos que as pessoas são responsáveis por cada ação que praticam, mas lembre-se que não devemos brincar com o sobrenatural. Você não precisa acreditar, só é necessário respeitar. Vamos deixar as lendas sobrenaturais no terreno da ficção, onde é mais seguro e apropriado. Agora que fiz as devidas recomendações, vamos voltar ao post. Mas só leia se não tiver medo.

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tumblr_nd6p63SxEM1qkchnio1_500.jpgJogo do Copo x tabuleiro Ouija

Com toda certeza, muitos de vocês já devem ter ouvido falar da brincadeira do “jogo do copo”. Essa brincadeira era muito comum na época da escola. Eu nunca brinquei dessas coisas, porque meu pai sempre me alertou e me pedia para respeitar o sobrenatural. O jogo do copo também ganhou algumas ramificações e foi adaptado também para a “brincadeira do compasso”, mas todos descendem da mesma coisa: o tabuleiro ouija. Todas as pessoas que realizaram o jogo (tanto do copo quanto do compasso) colocaram respostas em papéis de modo que conseguissem arrancar as respostas dos espíritos, enquanto o tabuleiro ouija tem o seu próprio alfabeto, o que torna o processo mais assertivo. Todos esses jogos têm como objetivo conversar com espíritos, fazer perguntas a eles e só podem sair quando o espírito invocado permitir. O problema é que as pessoas que brincam costumam ter resultados assustadores. Tanto quem joga a brincadeira do copo, compasso ou ouija costuma dizer que os objetos se mexem sozinho, sob o comando de um fio ou alguém invisível. Para se ter uma ideia, o tabuleiro ouija é tão temido que li uma certa vez que ele é proibido nos EUA. Não conheço a veracidade dessa informação, mas se você pesquisar, vai descobrir que muitas pessoas temem esse jogo, o que é perfeitamente compreensível. Existem muito relatos de pessoas que tiveram problemas ao jogar o tabuleiro ouija. Há inclusive relatos de mortes após o jogo. Eu já ouvi relatos de pessoas (que pediram para não serem identificadas) que afirmam que o copo mexeu enquanto aguardavam a pergunta. Já li também muitas pessoas afirmando que a explicação para a brincadeira do copo nada mais é do que o poder da mente. O problema é que a nossa sociedade ainda não evoluiu para um x – men. Para o ser humano, qualquer explicação mesmo que incoerente é melhor do que uma resposta irracional, que foge a nossa vã filosofia. E vocês, acreditam que isso possa ser verdade?

 

A mulher de branco na estrada

tumblr_nnc105Dbfs1s5i5mlo1_1280Desde pequena, escuto a história da mulher de branco na estrada e sempre que viajava ou tinha que passar em alguma estrada, ficava morrendo de medo. Nas lendas e histórias que se escuta por aí, é muito comum ver caminhoneiros e motoristas relatando ter visto a tal aparição. Ela costuma aparecer em uma estrada deserta, a noite fazendo sinal para o motorista parar e pedindo uma carona. Já li várias versões dessa história e todas elas relatam que a tal mulher seria uma noiva – por isso o motivo dela estar usando um vestido branco – que teria sido assassinada no dia do seu casamento. Alguns dizem que a mulher teria sido assassinada antes do casamento e outros, durante a festa do seu casamento. O fato é que a mulher de branco assombra algumas estradas e muitas pessoas morrem de medo dessa lenda. Essa história é muito famosa e já teve um episódio de Supernatural inspirado nela. E é um do mais assustadores de toda a série, vai por mim. E um do melhores!

 

tumblr_mvjp9z739o1qa7lf2o3_250A Loira do banheiro

A história da loira do banheiro é muito famosa nas escolas, uma vez que dizem que o espírito faz aparições por lá. A lenda diz que a loira seria na verdade uma aluna (loira) que se apaixonou/ se envolveu com um professor, mas por ele ser casado, acabou terminando com ela. Dizem que a tal da aluna surtou e acabou se suicidando no banheiro do colégio, desde então seu espírito está preso e ela vem assombrando o banheiros das escolas como forma de praticar vingança, principalmente com os alunos que costumam ficar invocando – a. Dizem que se alguém chamar “loira do banheiro” três vezes na frente do espelho ou dando descarga na privada, a loira aparece. Quando estudava, vários alunos brincavam disso. Tem gente que jura que viu. Se é verdade ou não, vai de cada um acreditar.

 

Todas essas lendas passaram por várias modificações no decorrer do tempo. Você com certeza já deve ter ouvido falar de alguma dessas, mas com algum detalhe ou informação diferente e isso é normal, pois é isso que acontece com lendas e mitos que vão mudando com os anos e os lugares que vão sendo narradas. O que todas têm em comum são a presença do sobrenatural. Existem muito mais informações sobre elas, mas achei melhor dar uma resumida para o post não ficar tão longo. Usei também gifs mais engraçados, porque as lendas em si já são super macabras. E vocês, já ouviram falar dessas lendas? Tem medo de alguma delas? Tem alguma história para me contar? Aproveitem que estamos no Halloween e que a coluna A ficção vira realidade está de volta e se quiserem, me enviem o relato de vocês em anonimato que posto aqui.

Uma incrível semana assombrada!

Beijos,

Ju.

 

Amazon · Ben Oliveira · Escrita maldita · Escrita maldita (Ben Oliveira) {Mês Especial do Halloween} · Literatura Nacional · Livros · Mês Especial do Halloween · Terror · Terror Psicológico

Escrita maldita (Ben Oliveira) {Mês Especial do Halloween}

benEscrita Maldita, escrito por Ben Oliveira é um livro de terror psicológico que conta a história de Daniel Luckman, um jovem escritor que recebe um prêmio pelo seu primeiro livro que se tornou best – seller e é responsável por uma reviravolta e mudança de vida.

Logo de cara ficamos sabendo que Daniel é o típico clichê de escritor: trabalhador, workaholic e sonhador. Ao lado da namorada Marisa, ele batalhava pelo sucesso até que esse grande dia chegou. Esse prêmio abre muitas portas, como escrever um livro junto com Laurence Loud, um dos seus escritores favoritos e grande inspiração para as suas obras. Com todas essas transformações, Daniel muda de vida, se muda para uma casa grande de campo e se casa com Marisa. Ele e Marisa são um casal apaixonado e é muito bonito a forma como os dois trabalham isso. Apesar de jovens, ambos são dedicados um ao outro e ao grande sonho de Daniel. A mulher acaba abrindo mão de muita coisa por conta do marido, mas o que achei mais interessante é que em nenhum momento isso diminui a importância da personagem na trama, muito pelo contrário. Como o próprio Daniel diz, Marisa é a responsável por lhe trazer de volta a realidade. Ela é a representação com o mundo real. Além disso, a personagem é uma das primeiras a notar coisas estranhas que começam a acontecer por ali.

Acontece que Daniel e Laurence decidem escrever um livro onde ambos são personagens, um thriller psicológico que conforme vai passando o tempo, Daniel nota que as linhas que separam ficção e realidade podem não existir. Quando eles decidem escrever juntos, Laurence é convidado para passar um tempo com os dois e assim que o personagem coloca os pés na casa, fui invadida pela sensação de alerta vermelho. Não sei se era pela empolgação do personagem, mas isso passa despercebido por Daniel, mas não para nós leitores e para Marisa. A forma como o autor insere isso na trama, a atmosfera que ele cria, repleta de mistério e muitas simbologias, através de sonhos e sinais deixa claro que a vida de Daniel não vai ser a mesma. Ou melhor, que existe um grande peso após o sucesso do seu primeiro livro. Seria o preço pelo sucesso ou pelo dom, que na verdade pode ser uma maldição?

Escrita Maldita entrou para a lista de livros mais incríveis que já li. Terminei o livro chocada e ao mesmo tempo arrebatada com o final destruidor! É de tirar o fôlego, mas vamos por partes. Uma das coisas mais fantásticas da história é a forma como Ben consegue brincar com o real x imaginário, os limites que existem entre eles e a metáfora com a escrita que nós – escritores e leitores – acabamos nos identificando. A escrita é fluída, muito gostosa do tipo que a gente quer devorar tudo de uma vez. Lembro de parar algumas vezes, porque não queria que o livro terminasse logo. Outro ponto positivo é a ambientação muito bem construída: o livro possui um tom muito soturno, sombrio que faz o leitor mergulhar na trama e se sentir como um narrador onipresente, como se estivesse preso a trama e é o clima ideal para um livro de terror. Os personagens são muito bem desenvolvidos. Eu me identifiquei e simpatizei com Daniel e Marisa, um casal que está no início da vida a dois, na luta por uma vida melhor sem abandonar seus ideais sonhadores. Mas sem dúvidas, nada supera os plot twists dessa história que são puro desgraçamento da cabeça!!! Foi surpreendente e ao mesmo tempo, muito incrível! Escrita Maldita abre margens para várias teorias que ficaram na minha mente durante um bom tempo após a leitura. O final é arrebatador e catártico.

O livro também possui uma mensagem muito forte sobre perseverar com seus sonhos e não desistir deles. Durante o livro, torcemos para que os dois consigam realizar seus objetivos e tentamos protegê-los, mesmo sabendo que a ficção tem vida própria e segue seu próprio caminho. Indico muito escrita maldita, principalmente para os fãs de terror / thriller psicológico e já estou ansiosa para ler próximos livros do autor que é sem dúvidas, um destaque no cenário do terror. Escrita Maldita é a pedida ideal para a galera que busca uma leitura mais macabra e sinistra nesse Halloween. Tem terror, mistério e muito sobrenatural em um clima pra lá de soturno. Tenho certeza de que vão lembrar dele na hora de dormir hehe. Cinco estrelas e super favoritado.

Você pode encontrar o livro disponível em eBook na amazon e para mais informações sobre o livro e o autor, entre em contato com ele através do site. Ben possui várias publicações, algumas dela disponíveis no wattpad que valem a sua leitura. Boa leitura e feliz Halloween 🎃

 

Bate papo · Brasil · Terror

Sim, eu escrevo Terror no Brasil

Olá seres que habitam esse universo (e todos os outros que vagam por aí)! Espero que esteja tudo bem aí do outro lado, por aqui está tudo bem.

Já faz um tempinho desde o último post nesse site – como é típico da minha parte – mas como já sabem essas coisas acontecem. Coincidentemente sentia muita saudade de postar aqui e além disso, fui surpreendida com os gráficos de visitas do blog. Não ocorre atualização desde Junho, mas isso não impediu que o site continuasse sendo visitado – muito bem – diga-se de passagem. Isso me animou bastante e me deixou muito surpresa. Que notícia incrível para receber! Yaaaaaay, passamos das 19 mil visitas! (Sim, vai ter post especial sobre isso) Muitas coisas aconteceram enquanto estive longe e uma delas foi uma fase bem chata, que me encontrei desanimada e desacreditada com o meu trabalho. Eu poderia não falar sobre isso, fingir que essa crise não aconteceu, mas não acho certo, nem justo com vocês. E foi assim que surgiu a ideia do post de hoje, em um clima mais intimista, ao mesmo tempo trocando umas ideias que já queria faz muito tempo com vocês.

Caso você tenha caído aqui de paraquedas, sou autora de Maratona Do Terror: Perdidos – Contos de Arrepio. Meu livro foi publicado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2015. Sim, faz 2 anos que meu livro foi publicado. Mas precisamente no dia 6 de Setembro e a data passou em branco, porque a Bienal estava rolando e achei mais justo comemorar depois que a Bienal passasse e em Outubro, já que é um mês que tem tudo a ver com o meu livro.

Bem, são dois anos oficialmente como escritora de terror. 2 anos de experiência, na pele e lutando para divulgar o meu livro. E se você pensa que é fácil… Não, não é. Na realidade acho que é o dobro da dificuldade que um escritor nacional enfrenta. Pelo simples fato de que escrever terror no Brasil é MUITO, mas MUITO difícil. Por quê? É o que vamos debater nas próximas linhas.

O dia mais incrível da minha vida: o dia em que lancei meu 1º livro *O*

Estamos no ano de 2017 e não é segredo para ninguém que a literatura – apesar de ter evoluído muito nos últimos anos, principalmente por conta das adaptações cinematográficas e lançamentos de livros de youtubers – anda mal das pernas no Brasil. O país está passando por uma crise (que crise?) e sempre que isso acontece, quais são os primeiros setores a sofrer com a queda? Sim, a cultura e a educação. Além disso, vamos concordar que o Brasil não é muito reconhecido por conta da sua literatura de horror. Apesar de termos André Vianco e Zé do Caixão como grandes exemplos em nossa literatura, o cenário literário do país é mais reconhecido pelos romances, sejam comédias ou dramas. Se vocês forem pesquisar a lista dos livros mais vendidos, vão encontrar esses títulos por lá. E ok, tá tudo bem. Eu consumo esse tipo de conteúdo, mas a questão é que o terror também existe e vive. Como lidar com isso? Como trabalhar com isso em um país no qual grande parte da população ainda não lê e quando lê, se dedica ao romance e é cheio de dedos com a contracultura? E ah, tem mais um ponto importante que eu ~ acho ~ que complica bastante a vida de quem trabalha com contracultura no país, o Brasil é um país predominante religioso e por conta disso, a arte mais sombria no país é vista com MUITO preconceito. Posso falar isso com propriedade pois: 1) trabalho com isso, 2) algumas pessoas da minha família que são religiosas nem se deram ao trabalho de ler o meu livro, por puro e simples preconceito.

Meu livro é direcionado para o público infantojuvenil e confesso que encontro muita resistência por parte dos pais e das escolas. Só de falar de que meu livro é de terror, elas se protegem com 7 pedras, alho e crucifixo. Encontrei muitos pais que apoiaram seus filhos e compraram o livro, mas também encontrei aqueles que não deram apoio. Foi muito decepcionante. É meio surreal que em plen0 2017, a gente ainda encontre esse tipo de resistência. Se eu ganhasse um real por cada pessoa que me olha como se eu escrevesse sobre exorcismos e rituais com demônios, eu estaria ryca em Paris. E mesmo se eu escrevesse, não teria problema nenhum. Esse é o meu trabalho. Olha aí Stephen King fazendo bonito!

Desde que lancei o livro, optei por eu mesma cuidar da minha carreira e confesso que essa atitude me deu mais confiança e segurança. Sou microempresária, gosto de ter controle de tudo. É claro que infelizmente isso pode ser desgastante e quando as crises chegam, tudo desmorona.

Ser autor nacional já é bem difícil, porque além de escritor, você é vendedor, faz o marketing, propaganda, etc. Mesmo que você consiga uma editora grande, você vai ter que trabalhar na divulgação (claro que de forma menos pesada, mas ainda assim vai ter). Quando se é autor de terror, a coisa se complica ainda mais. Não basta tentar encontrar e se conectar com o seu público alvo nas redes sociais, você também tem que pesquisar onde o seu livro pode ser aceito (como eventos, blogs, lojas, etc) porque nem todo mundo curte terror, mesmo que ele seja infantojuvenil. Porque pode acontecer de você participar de um evento que vão estar falando de romance e o público não se conectar com o que você vai falar, etc.

Eu conheço muitos blogueiros por causa do Novos Escritores e a quantidade que lê terror é baixíssima. Não estou querendo de forma alguma desmotivar alguém, mas acho que estava na hora da gente tocar nesse assunto. O nosso país já é um lugar que infelizmente não apoia a cultura, muito menos quando ela não se configura na categoria popular.

Não penso de forma alguma desistir ou deixar de escrever terror. Aqui estou eu, livre, forte e me preparando para o mês especial de Halloween (que sim, vai ter esse ano), mas ciente de que ainda existem muitas barreiras e preconceitos que tenho que vencer. Há dias mais tranquilos, mas também aqueles dias devastadores que eu me pergunto porquê escrevo, passo noites em claro pensando em fazer alguma coisa que me ajude a pagar as minhas contas e não tire o meu sono.

Tem uma outra questão que queria muito abordar aqui, que tem me incomodado bastante nos últimos anos. É a questão da literatura de horror ser lembrada apenas no Dia das Bruxas. Eu amo/ sou Halloween. É a minha segunda data preferida do ano – depois do meu aniversário – é claro rs. Adoro ver meus leitores me mencionando e lembrando de Maratona Do Terror nessa época, mas é MUITO complicado ser lembrado APENAS nessa época. O terror vive e existe nos 365 dias do ano. É possível sim ler, fazer vídeos sobre livros de terror, sobrenatural, ficção científica, fantasia e mistério no Carnaval, no Natal, dia dos namorados, dia dos avós e nas férias. Isso ajuda muito quem produz esse tipo de conteúdo. Nossas obras são lembradas, vendemos e nossos nomes circulam por aí. Que é o que todo autor nacional mais quer. É como costuma dizer a minha avó: quem não é visto, não é lembrado.

No meio desse ano, pedi indicações de autores nacionais de terror nas minhas redes sociais. Recebi muitos comentários, muitas dicas e separei em uma lista. Pretendo fazer alguma coisa sobre isso algum dia. Criar uma lista aqui no site, quem sabe um projeto de leitura, mas isso demanda bastante tempo. E vocês sabem, infelizmente quando a gente não vive só disso (no caso eu), não tem como dar prioridade. Por enquanto estou tentando levar e ter compromisso aqui no site como leitora, por mais que seja meu site de autora. É o jeito que tenho de alimentar e contribuir com as coisas que mais gosto e não tem tanto espaço no cotidiano. Falando nisso, recentemente criei um perfil no wattpad para divulgar os meus escritos. Tem sido uma experiência incrível, apesar da minha resistência com o site e achar ele BEEEEEEM bugado (palavras de quem já administrou uma rede social de livros e tem experiência ;)). Deixei uma prévia de Maratona Do Terror, criei 505 (uma pasta para divulgar textos aleatórios como contos, crônicas e poemas) e minhas fanfics. Comecei super animada, mas já aceitei e deixei claro que vou postar quando puder. Infelizmente ainda não vivo só disso, trabalho com outras coisas e quando essas coisas que me dão dinheiro me dão tempo, é que eu me dedico aos livros. Infelizmente vai ser assim enquanto a escrita não for o meu ofício integral. Fazer o que é, né?

A questão é que queria muito dividir com vocês algumas coisas e pontos que andam flutuando na minha mente sobre ser escritora de terror nesse país de meu Deus. Eu queria mostrar que sim, escrevo terror no Brasil. E sim, eu existo e insisto! Muitos pontos ficaram de fora, porque não cabiam aqui e o texto ficaria bem longo. Porém pretendo abordar e debater no futuro.

Mas agora quero saber de vocês autores e leitores de terror, como é a vida de vocês? Contem como é rotina de vocês. Dificuldades, histórias, feitos e coisas legais que já aconteceram. Prometo que volto em breve e com mais informações sobre o mês das Bruxas que está quase batendo na porta.

Bons sustos :*

Beijos,

Ju